Mais de 200 mil imigrantes aderem ao programa de retorno voluntário dos EUA com pagamento em dinheiro

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O impacto do Project Homecoming na imigração nos EUA

A política de imigração da administração do presidente Donald Trump atingiu um novo marco com o avanço do Project Homecoming, um programa federal que incentiva imigrantes em situação irregular a deixarem voluntariamente os Estados Unidos em troca de auxílio financeiro e passagens aéreas custeadas pelo governo. Dados internos do Departamento de Segurança Interna (DHS), revelados pelo site Axios, indicam que a iniciativa já contabiliza mais de 200 mil participantes, entre pessoas que já retornaram aos seus países de origem e aquelas com embarque programado.

Até 16 de julho, aproximadamente 132 mil imigrantes haviam concluído o processo de saída voluntária. Outros 70 mil já estavam inscritos aguardando a viagem, colocando o programa próximo de superar a marca de 202 mil adesões desde sua criação.

Uma alternativa à deportação tradicional

Lançado em maio de 2025, o Project Homecoming foi desenvolvido como alternativa à deportação tradicional. Além de fornecer a passagem de retorno, o governo oferece um incentivo financeiro aos participantes. O benefício começou em US$ 1 mil, foi elevado temporariamente para US$ 3 mil durante o período de fim de ano de 2025 e atualmente está definido em US$ 2,6 mil por pessoa.

Segundo o DHS, a estratégia também reduz significativamente os gastos públicos. Enquanto uma deportação conduzida pelas autoridades custa, em média, US$ 18.245, cada retorno voluntário representa um desembolso estimado em cerca de US$ 2,5 mil, sem contar o valor do incentivo financeiro.

Expansão nos centros do ICE

Uma das mudanças que impulsionaram o crescimento da iniciativa foi sua expansão para os centros de detenção administrados pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Atualmente, equipes do programa atuam em cerca de 40 unidades, oferecendo aos detidos a possibilidade de aderir ao retorno voluntário antes da conclusão dos processos de remoção.

Com essa medida, o tempo médio de permanência de imigrantes sob custódia caiu de aproximadamente 50 dias para 17 dias, contribuindo para reduzir a pressão sobre um sistema que vinha enfrentando superlotação. Quase metade das pessoas que aderiram ao Project Homecoming estava detida quando decidiu participar do programa.

Pressão por resultados e evolução do projeto

Embora hoje apresente números expressivos, o programa teve uma adesão modesta nos primeiros meses. Durante o semestre inicial de funcionamento, apenas cerca de 24 mil pessoas haviam aceitado a proposta. Segundo fontes ouvidas pelo Axios, integrantes da Casa Branca passaram a cobrar metas mais ambiciosas do Departamento de Segurança Interna. O vice-chefe de gabinete Stephen Miller teria participado de reuniões frequentes para acompanhar os resultados e pressionar pela ampliação do número de retornos voluntários.

Governo esperava registrar milhares de saídas diariamente, mas o programa inicialmente processava apenas algumas dezenas por dia.

Objetivos e metas do projeto

A administração considera o Project Homecoming uma peça importante da estratégia para reduzir o número de imigrantes em situação irregular no país. A meta anunciada pela administração é alcançar aproximadamente 1 milhão de remoções anuais, combinando deportações tradicionais e retornos voluntários. O responsável pela política de fronteira da Casa Branca, Tom Homan, já declarou que incentivar a autodeportação sempre esteve entre as prioridades da atual gestão.

Além disso, o DHS estima que a iniciativa poderá gerar uma economia de aproximadamente US$ 2,5 bilhões em comparação aos custos das deportações convencionais.

Críticas e desafios do programa

Apesar dos números divulgados pelo governo, especialistas em imigração questionam a transparência da iniciativa. O Departamento de Segurança Interna não publica regularmente estatísticas detalhadas sobre o programa, o que dificulta uma análise independente dos resultados. Também há dúvidas sobre o suporte oferecido aos participantes após o retorno aos seus países de origem. O Migration Policy Institute observa que programas semelhantes implementados em outros períodos tiveram baixa adesão e ressaltam que políticas de retorno voluntário costumam apresentar melhores resultados quando incluem assistência para reintegração social e econômica.

Uma fonte ligada à operação afirmou ao Axios que o modelo atual prioriza a rapidez na execução, deixando em segundo plano o acompanhamento dos participantes após a chegada aos seus países. Mesmo diante das críticas, a Casa Branca mantém sua posição. Em nota, a porta-voz Abigail Jackson reiterou que estrangeiros que permanecem ilegalmente nos Estados Unidos devem optar pela saída voluntária ou estarão sujeitos às medidas de deportação previstas pela legislação migratória.

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