Decisão Controversa em Andamento
A iniciativa da Administração Federal de Segurança de Transporte Rodoviário (FMCSA) de excluir quase 200 mil portadores de CDL não-domiciliados do mercado de trabalho de caminhoneiros está prestes a ser avaliada por um painel de juízes nomeados pela maioria democrata. Este caso será debatido oralmente no dia 15 de setembro no Tribunal de Apelações do Circuito de D.C., onde três juízes decidirão o futuro da regulamentação mais agressiva da FMCSA em anos.
Contexto da Situação
A nomeação de juízes federais é um processo que envolve o executivo e o legislativo, sendo que as diretrizes éticas proíbem juízes de apoiar partidos políticos enquanto estão no cargo. É comum que juízes considerados liberais ou conservadores surpreendam até mesmo os presidentes que os nomearam com suas decisões. Na situação atual, dois dos juízes que analisarão a proibição de emissões de CDLs não-domiciliados foram nomeados pelo ex-presidente Barack Obama, enquanto um foi indicado por Donald Trump.
Setembro também marcará quase um ano desde que as tentativas da FMCSA de banir CDLs não-domiciliados tiveram início.
Recapitulação dos Eventos
Para entender melhor a evolução deste processo, aqui estão alguns dos principais eventos:
- 26 de setembro de 2025: A FMCSA emitiu uma Regra Final Intermediária, buscando banir CDLs para não-cidadãos, com algumas exceções para portadores de certos tipos de visto, citando preocupações de segurança nas repartições estaduais de veículos.
- 20 de outubro: O proprietário-operador Jorge Rivera Lujan, apoiado por sindicatos, processou a FMCSA para interromper a regra.
[Relacionado: Conheça o proprietário que parou a purga da CDL não-domiciliada da FMCSA]
- 10 de novembro: O processo de Lujan teve sucesso, bloqueando a regulamentação da FMCSA.
- 11 de fevereiro de 2026: A FMCSA emitiu uma nova Regra Final, buscando banir os mesmos motoristas não-domiciliados, desta vez abandonando a justificativa de segurança.
- 27 de fevereiro: Lujan processou a FMCSA novamente, buscando reverter a regra.
Overdrive acompanhou os argumentos da parte de Lujan contra a regulamentação da FMCSA, principalmente atacando a lógica por trás da proibição de não-cidadãos. Além disso, análises foram apresentadas mostrando que motoristas não-cidadãos têm um desempenho de segurança melhor do que seus homólogos cidadãos.
[Relacionado: A Califórnia diz que motoristas não-domiciliados são mais seguros do que cidadãos dos EUA: Documentos do tribunal]
Apesar de o Secretário de Transporte Sean Duffy ter afirmado que a proibição da CDL não-domiciliada “não é política”, a política teve um papel significativo nos casos judiciais. As cartas de amicus apresentadas pelos estados frequentemente refletem divisões partidárias: estados azuis apoiaram em sua maioria Lujan, enquanto estados vermelhos apoiaram a FMCSA.
Próximos Passos
Agora, o caso será levado a um painel de três juízes. Um dos juízes, Robert L. Wilkins, já decidiu contra a FMCSA em um caso anterior de Lujan desafiando a versão anterior da proibição de CDL não-domiciliada.
O juiz Wilkins foi nomeado para o tribunal de apelações federais em 2014 pelo presidente Obama e foi o autor principal de um caso que inspirou reformas legislativas e executivas em práticas de parada e busca da polícia, segundo sua biografia.
Já a juíza Patricia A. Millett foi nomeada para o tribunal de apelações em 2013, também por Obama, e já trabalhou como assistente de um juiz na Corte do Nono Circuito, considerada uma das mais liberais dos EUA. Ela possui um segundo grau de faixa preta em Taekwondo, segundo sua biografia.
Gregory G. Katsas foi nomeado para o Circuito de D.C. em 2017 pelo presidente Trump e já atuou como assistente do juiz da Suprema Corte Clarence Thomas. Katsas já argumentou mais de 75 apelações, segundo sua biografia.
[Relacionado: CDLs não-domiciliados: Legislação busca mais supervisão da FMCSA]





