Casamento Fictício para Garantir Green Card
Recentemente, novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram que o financista Jeffrey Epstein orquestrou um casamento entre pessoas do mesmo sexo com o intuito de permitir que sua namorada, a dentista bielorrussa Karyna Shuliak, permanecesse legalmente no país e conseguisse o tão desejado green card.
Os Detalhes do Esquema
De acordo com informações publicadas pelo The New York Times, que teve acesso a um conjunto de e-mails e documentos oficiais, Epstein orientou Shuliak a se casar com uma cidadã americana após o vencimento do visto de estudante utilizado por ela para entrar nos Estados Unidos em 2010. Em uma mensagem enviada em março de 2013, Epstein sugeriu que era hora de ela procurar por “uma namorada americana”, enfatizando que o casamento seria “de longe o caminho mais rápido para conseguir o green card”.
O esquema envolveu uma mulher de Minnesota, funcionária como assistente, que concordou em se casar com Shuliak. O casamento ocorreu oficialmente em 9 de outubro de 2013, em Nova York, onde casamentos entre pessoas do mesmo sexo são legais desde 2011. Após a união, o processo migratório de Shuliak seguiu sem problemas, culminando em sua obtenção do green card e, posteriormente, em sua cidadania americana em maio de 2018. O casamento foi dissolvido no ano seguinte.
Relatório do Comitê do Congresso
Um relatório da Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes classificou o casamento como possivelmente fraudulento, rotulando-o uma união “ilusória”, criada para fornecer uma justificativa legal para a permanência de Shuliak nos Estados Unidos. A cidadã americana que participou do casamento expressou surpresa ao descobrir que uma audiência de deportação de Shuliak estava marcada para poucos dias após a cerimônia, sugerindo que não estava a par de todo o plano elaborado por Epstein.
Apesar das conclusões do relatório, a comissão não sugeriu qualquer ação para contestar a cidadania americana de Shuliak.
Relação com Epstein e Consequências Legais
Karyna Shuliak conheceu Epstein em Nova York em 2011, quando tinha apenas 21 anos. Ela se formou em Odontologia pela Universidade Columbia em 2015 e ficou conhecida por ter sido a última pessoa a ter contato com Epstein antes de sua morte em agosto de 2019, quando ele aguardava julgamento por alegações de tráfico sexual de menores. O testamento de Epstein, assinado apenas dois dias antes de sua morte, indicava que Shuliak herdaria cerca de US$ 100 milhões e diversos bens, incluindo propriedades luxuosas e um anel de noivado de 32 quilates.
Embora os documentos revelem um suposto esquema para garantir a permanência de Shuliak nos Estados Unidos, ela não foi acusada criminalmente e não é considerada vítima dos crimes sexuais atribuídos a Epstein. Segundo seu advogado, Maurice Sercarz, antes de sua morte, Epstein teria pedido a Shuliak que mantivesse a força durante a prolongação do processo criminal.
Reflexões sobre o Impacto do Esquema
A divulgação desses documentos reacende questões sobre as relações e os métodos empregados por Epstein para manipular o sistema legal a seu favor. Tal esquema levanta discussões relevantes sobre a legitimidade de casamentos que buscam benefícios migratórios e a necessidade de um controle mais rigoroso sobre essas práticas. Para o setor de transportes e a comunidade de caminhoneiros, essa reflexão também traz à tona a importância da compreensão sobre as nuances legais que podem afetar suas próprias situações, especialmente para aqueles que atuam como imigrantes nos Estados Unidos.





