Da Redação
Recentemente, autoridades de Connecticut confirmaram que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) estão realizando operações no Aeroporto Internacional Bradley, localizado em Windsor Locks. Este desenvolvimento gerou preocupações entre as autoridades estaduais e defensores dos direitos dos imigrantes, que temem uma intensificação da fiscalização migratória no estado.
A confirmação veio através do governador Ned Lamont e do comissário do Departamento de Serviços de Emergência e Proteção Pública, Ronnell Higgins. Ambos relataram ter sido informados oficialmente sobre a presença dos agentes federais no aeroporto, embora o governo estadual não tenha recebido detalhes sobre a extensão ou duração dessas operações. A preocupação é que, em meio à inspeção de passageiros pela Administração de Segurança nos Transportes (TSA), pessoas possam ser abordadas por agentes do ICE se alguma possível violação das leis de imigração for identificada.
“Fomos informados de que eles estão no aeroporto, e se um passageiro passar pela TSA, poderá ser verificado. Se houver alguma violação, ele poderá ser retirado da fila”, explicou o comissário Higgins. Por outro lado, ele também ressaltou que a Polícia Estadual de Connecticut, que opera no aeroporto, não participa dessas ações de fiscalização imigratória.
O governador Lamont criticou a política migratória do governo Trump e expressou preocupação de que pessoas possam ser detidas ao viajar dentro do país. Ele enfatizou: “Deixem essas pessoas em paz. Talvez sejam apenas indivíduos que querem visitar uma tia em Chicago e, em vez disso, podem ser abordados pelo ICE no Bradley e levados para um centro de detenção.” Até o momento, as autoridades estaduais afirmam não ter recebido confirmação de detenções realizadas durante essas operações no aeroporto.
Autoridade aeroportuária diz que não participou das ações
A Connecticut Airport Authority (CAA) declarou, em nota, que estava ciente das operações do ICE que ocorreram nas últimas semanas no Aeroporto Bradley. Segundo a CAA, os agentes atuavam disfarçados, sem identificação visível do ICE, e a administração do aeroporto só ficou sabendo dessas ações após sua realização.
A CAA esclareceu que não colaborou com as operações e não possui autoridade legal para impedir ações do governo federal em áreas sob sua jurisdição. A entidade afirmou, ainda, que sua missão é garantir segurança e comodidade aos passageiros, e que tais operações não contribuem para esse objetivo.
Estado mantém restrições à cooperação com o ICE
Connecticut é reconhecido como um dos estados com maior resistência às políticas federais de imigração. A legislação estadual conhecida como Trust Act impõe limitações significativas à cooperação das autoridades locais com o ICE, permitindo tal colaboração apenas em circunstâncias específicas previstas em lei. Entretanto, como o aeroporto possui áreas sob controle federal, o governo estadual tem pouco espaço para interferir nas operações federais.
Os reportes sobre ações em aeroportos refletem um aumento nas fiscalizações migratórias em todo o país. Dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC) indicam que, até 11 de julho, mais de 65 mil pessoas estavam detidas nos Estados Unidos devido a questões imigratórias. Desses, aproximadamente 70% não tinham condenações criminais, o que intensifica o debate sobre as atuais políticas de imigração implementadas pelo governo Trump.
Até o fechamento desta reportagem, o ICE não havia respondido aos pedidos de esclarecimento sobre as operações no Aeroporto Internacional Bradley, nem se essas ações fazem parte de uma estratégia permanente de fiscalização em aeroportos nos Estados Unidos.





